Sintra foi o destino de verão da família real durante séculos
Muito antes de ser um dos destinos turísticos mais procurados do país, Sintra foi o refúgio de verão da realeza portuguesa e da alta sociedade, palco de festas, piqueniques e momentos marcantes da História.
Hoje é um dos destinos mais visitados de Portugal, mas durante séculos Sintra foi o local escolhido pela família real para escapar ao calor dos meses de verão. A frescura da serra, a paisagem única e o ambiente tranquilo fizeram da vila a residência sazonal de reis, rainhas e da aristocracia portuguesa.
A tradição começou ainda no século XIV e prolongou-se até à perda da independência, em 1580. Mais tarde, no século XIX, Sintra voltou a ganhar protagonismo graças ao romantismo e ao interesse de figuras nacionais e estrangeiras, transformando-se num dos locais mais exclusivos do país.
Com a renovação do Palácio Nacional de Sintra por iniciativa da Rainha D. Maria II e a construção do Palácio da Pena por D. Fernando II, a vila tornou-se o centro da vida social da elite portuguesa. A corte era acompanhada por nobres, empresários, políticos, artistas e escritores, que faziam de Sintra o cenário das grandes reuniões da época.
Durante o verão organizavam-se piqueniques, garden parties, soirées, jantares ao ar livre, passeios a cavalo, partidas de ténis e receções em quintas e palácios. Um dos episódios mais marcantes aconteceu em 1896, quando a rainha-mãe D. Maria Pia reuniu cerca de 50 convidados para um luxuoso piquenique nos jardins do Palácio de Monserrate, servido com toda a etiqueta da corte.
D. Maria Pia era também conhecida pela paixão pelo ciclismo, percorrendo quilómetros pelas estradas da serra, enquanto o Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia participavam em atividades sociais e culturais que enchiam os dias da família real durante a temporada em Sintra.
A fama da vila ultrapassou fronteiras depois de Lord Byron a descrever como um "glorioso Éden", atraindo visitantes britânicos e grandes investidores. Foi neste período que nasceram algumas das mais emblemáticas residências de verão, como o Palácio de Monserrate, e que Sintra consolidou a imagem romântica que ainda hoje a distingue.
O legado da família real permanece bem visível nos palácios, jardins e quintas que moldaram a paisagem da serra. Foi também no Palácio da Pena que a Rainha D. Amélia viveu um dos momentos mais marcantes da História de Portugal: a queda da Monarquia, a 5 de Outubro de 1910, antes de partir para o exílio.
Mais do que um destino turístico, Sintra continua a ser um dos maiores símbolos da história, do património e da identidade portuguesa.
Foto: Passeio de Bicicleta na Serra de Sintra em 1898. Ao centro, a Marquesa de Belas e SAR o Infante D. Afonso. À frente, de preto, a segurar a bicicleta, está SMF a Rainha Dona Maria Pia.